Ir para o conteúdo
Quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Sul da Região Metropolitana de Curitiba
sul metropolitano. Notícias da região

Trevo de Mandirituba volta ao centro das cobranças e vereador critica demora da Arteris

Obra é aguardada há anos e chegou a ter início previsto para fevereiro de 2025; documentos da ANTT mostram que intervenção ainda não havia saído do papel

Da redação
Publicado em 10 de setembro de 2026, 20h54

A demora para a implantação de um novo trevo de acesso a Mandirituba, na BR-116, voltou a provocar cobranças no município. Durante a última sessão da Câmara de Vereadores, o vereador Altair Ila utilizou o espaço destinado à liderança partidária para criticar a demora na execução da obra e cobrar uma posição mais efetiva da concessionária Autopista Planalto Sul, do grupo Arteris.

Segundo o vereador, a implantação do dispositivo já foi discutida em diferentes reuniões, inclusive em Brasília, junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para Ila, apesar das sucessivas tratativas e reivindicações apresentadas pelo município, a obra não avança na velocidade esperada.

O parlamentar afirmou ainda que tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo de Mandirituba têm apresentado reiteradamente as demandas relacionadas ao acesso e à segurança viária, mas que, na avaliação dele, as solicitações do município não estariam recebendo a devida atenção por parte da concessionária.

A cobrança ocorre em torno de uma obra que já se arrasta há anos. Documentos oficiais da ANTT classificam a intervenção como “Trevo em Desnível em PD”, localizada no km 141,4 da BR-116, em Mandirituba. O projeto prevê a implantação de um trevo em desnível com alças, permitindo os movimentos de cruzamento e melhorando as condições de tráfego local e rodoviário.

Obra chegou a ter início previsto para 2025

Em junho de 2024, a própria Prefeitura de Mandirituba informou que havia se reunido com representantes da Autopista para discutir melhorias no trevo de entrada da cidade. Na ocasião, segundo a administração municipal, a concessionária apresentou um novo projeto para o eixo viário e informou que a previsão era iniciar as intervenções em fevereiro de 2025.

O projeto apresentado tinha como objetivo melhorar a fluidez do trânsito e aumentar a segurança de motoristas e pedestres, enquanto, até o início das obras, seriam realizadas melhorias na sinalização.

Entretanto, os relatórios de acompanhamento de obras disponibilizados pela ANTT mostram que o trevo continuava sem execução.

No relatório referente a outubro de 2025, a obra aparece com 0% de execução e status “Não iniciada”. O documento identifica o empreendimento no km 141,400 da BR-116, em Mandirituba.

A situação não era recente. Relatórios anteriores da ANTT, de 2023 e 2024, já registravam o empreendimento como não iniciado e com 0% de execução.

Trevo é considerado uma das intervenções pendentes da concessão

A Autopista Planalto Sul administra o trecho da BR-116 entre Curitiba e a divisa do Paraná com o Rio Grande do Sul. O contrato de concessão foi assinado em 2008 e prevê a operação de aproximadamente 412,7 quilômetros da rodovia.

Em uma discussão recente sobre os investimentos da concessão, representantes da concessionária apontaram o trevo de Mandirituba entre as principais obras que ainda permanecem pendentes.

Em audiência registrada pela Câmara de Rio Negro, um representante da empresa informou que o trevo de Mandirituba seria o dispositivo final relacionado à duplicação e que existiria um projeto para a obra, com previsão de conclusão até 2027. Segundo o relato apresentado na audiência, o município teria solicitado uma reconfiguração do projeto, que estaria sendo discutida com a ANTT.

A informação ajuda a explicar parte do atual impasse: de um lado, o município cobra a execução de uma obra aguardada há anos; de outro, existe uma discussão sobre a configuração do projeto e sua inclusão no cronograma de investimentos da concessão.

Segurança e acesso ao município

A discussão não envolve apenas mobilidade. O acesso pela BR-116 é uma das principais portas de entrada de Mandirituba e recebe diariamente grande fluxo de veículos que circulam entre a Região Metropolitana de Curitiba, o Sul do Paraná e Santa Catarina.

O próprio histórico da concessionária demonstra que a região passou por importantes intervenções de ampliação da capacidade da rodovia. A duplicação entre Curitiba e Mandirituba foi concluída em etapas, enquanto outros dispositivos em desnível foram implantados ao longo do trecho. Em 2017, por exemplo, a Arteris registrou a conclusão da duplicação entre Curitiba e Mandirituba e também de um trevo em desnível no km 138,8, no município.

Apesar dos investimentos realizados, o acesso de Mandirituba continua sendo apontado como um dos pontos que precisam de uma solução definitiva.

O próprio material de acompanhamento da ANTT descreve o trevo projetado como uma intervenção capaz de atender aos diferentes movimentos de cruzamento, com benefícios tanto para o tráfego da rodovia quanto para o trânsito local.

Vereador cobra definição

Durante a sessão da Câmara, Altair Ila reforçou que o município não quer apenas novas reuniões ou promessas, mas uma definição sobre quando a obra efetivamente será executada.

A cobrança ocorre em um momento em que Mandirituba passa por novos investimentos de infraestrutura e crescimento da circulação de veículos, aumentando a pressão por soluções definitivas para os acessos à BR-116.

Para o vereador, Executivo e Legislativo precisam continuar cobrando a concessionária e a ANTT para que o projeto deixe de ser apenas uma previsão e avance para a fase de execução.

A expectativa agora é que as discussões entre Prefeitura, Câmara, ANTT e Arteris resultem em um cronograma claro para a obra e, principalmente, em uma data efetiva para o início dos trabalhos.

A reportagem procurará a Arteris e a ANTT para obter uma atualização sobre o atual estágio do projeto, o motivo pelo qual a obra prevista para o acesso de Mandirituba ainda não foi iniciada e qual é o novo cronograma previsto para a intervenção.

Viu um erro ou tem informação nova sobre esse assunto? Correções e complementos entram na matéria com registro da atualização no alto do texto. Fale com a redação