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Dez são presos por esquema de loteamentos clandestinos em áreas rurais da RMC

Investigação aponta que grupo atuava desde 2021 na fraude de documentos, ocupação e venda irregular de propriedades rurais; pelo menos quatro loteamentos clandestinos foram identificados nos dois municípios

Da redação
Publicado em 18 de setembro de 2026, 18h52
Dez são presos por esquema de loteamentos clandestinos em áreas rurais da RMC
Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MPPR) cumpriu, nesta quarta-feira (16), dez mandados de prisão preventiva contra pessoas denunciadas por envolvimento em um esquema de comercialização de loteamentos irregulares em imóveis rurais de Campo Magro e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.

A operação, denominada Fundo Falso, é conduzida pela 5ª Promotoria de Justiça de Almirante Tamandaré, em conjunto com o Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Dos dez alvos, três ainda não haviam sido localizados e são considerados foragidos.

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa estaria em atividade desde 2021 e teria como alvo principalmente propriedades rurais sem movimentação ostensiva dos proprietários, além de imóveis pertencentes a pessoas idosas ou envolvidos em processos de inventário.

A investigação aponta que os integrantes buscavam informações sobre as propriedades, incluindo matrículas, registros e certidões de óbito. Com esses documentos, seriam simuladas negociações dos imóveis e produzidos documentos falsos para dar aparência de legalidade às transações.

Depois, as áreas rurais eram fracionadas e os terrenos comercializados como lotes, mesmo sem autorização para implantação dos empreendimentos. Pelo menos quatro loteamentos clandestinos foram identificados pelos investigadores nos dois municípios.

Obras públicas e fiscalização

As investigações também apontam que o grupo teria buscado utilizar relações dentro da estrutura municipal para facilitar a atuação nos locais onde os imóveis eram fracionados.

Entre os denunciados está um vereador de Campo Magro, Márcio Bueno, que, de acordo com o MPPR, é apontado como um dos líderes do grupo. A investigação sustenta que a posição ocupada pelo parlamentar teria sido utilizada para viabilizar obras públicas nas áreas investigadas e para obter informações antecipadas sobre fiscalizações municipais.

O Ministério Público também afirma ter identificado tentativas de interferência para impedir ou dificultar ações de fiscalização nos locais.

As suspeitas foram reforçadas, segundo o MP, por provas obtidas em etapas anteriores da operação. Entre os elementos analisados estão mensagens de texto e áudios que, conforme a investigação, registrariam tratativas relacionadas às práticas investigadas.

Ameaças a proprietários

Para manter o funcionamento do esquema, os investigados também teriam utilizado ameaças e outros atos de intimidação contra proprietários das áreas ou pessoas que tomavam conhecimento das supostas irregularidades.

A estratégia investigada, conforme a denúncia, começava pela identificação de imóveis considerados mais vulneráveis à atuação do grupo. A partir daí, eram obtidos documentos, simuladas negociações e estruturada a venda dos terrenos após o fracionamento irregular das propriedades.

Além das dez pessoas que tiveram a prisão preventiva decretada, outras duas foram denunciadas pelo Ministério Público por suposta participação no esquema. Para elas, a Justiça determinou medidas cautelares diversas da prisão.

Também houve determinação judicial para o bloqueio de bens dos denunciados, atendendo a pedido apresentado pelo Ministério Público.

As prisões foram solicitadas pelo MPPR em 25 de agosto, na ocasião em que a denúncia contra os investigados foi apresentada à Justiça. As acusações ainda serão analisadas no processo judicial.

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